A trajetória das mulheres na profissão

Quarenta anos atrás, os profissionais de farmácia eram predominantemente homens.

Dia a Dia da Farmácia

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Mulheres são maioria nas farmácias

Com dedicação, estudo e cuidado no atendimento, as farmacêuticas percorreram um longo caminho até se tornarem maioria na profissão

As farmacêuticas conquistaram a liderança na profissão. Registros do Conselho Regional de Farmácia (CRF-SP) mostram que 46.982 farmacêuticas estão na ativa no Estado de São Paulo. Isso representa 73% dos mais de 64 mil farmacêuticos paulistas. 

O caminho para chegar a essa marca foi longo. Na década de 1970, havia apenas 2.572 farmacêuticas inscritas no conselho paulista. Mas, a partir daí, o grupo feminino acelerou e fechou a década de 1980 com quase 6 mil profissionais, mais de 14 mil na década de 1990 e quase 28 mil no início dos anos 2000.

Há 40 anos, a profissão era predominantemente masculina. O ingresso crescente das mulheres nas faculdades de Farmácia começou a mudar essa realidade. Uma curiosidade que marca essa trajetória: para se inscrever nos conselhos regionais, as recém-formadas precisavam apresentar uma autorização por escrito do marido, caso fossem casadas, ou do pai, quando solteiras. Essa exigência só caiu em 1973.

Formada em 1967 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a farmacêutica Salette Maria Krowczuk de Faria, hoje com 75 anos, era uma das únicas alunas da classe. “Tive muito incentivo para estudar. Meu pai era austríaco e dizia que as mulheres deviam ter independência financeira do marido”, diz Salette.

Depois que se formou em Farmácia, Salette mudou-se de Santa Catarina, onde vivia com a família, para São Paulo. Fez faculdade de Saúde Pública na Universidade de São Paulo e começou a trabalhar no Instituto Butantan. Em quase 30 anos no instituto, atuou nas equipes que trabalhavam com vacinas como as do sarampo, rubéola, antirrábica e tríplice. 

Mesmo depois de aposentada, Salette não parou. Foi trabalhar no balcão de uma farmácia na região de Pirituba, em São Paulo. “Os moradores da periferia têm uma relação muito próxima e humana com os profissionais da farmácia e essa foi uma ótima experiência”, diz Salette.

Ela conta que fazia de tudo na farmácia. “Muitas vezes, a pedido dos médicos do posto de saúde, eu e meus colegas íamos à casa das pessoas, para orientar sobre como tomar os medicamentos e seguir o tratamento”, afirma. “A farmácia é um elo forte entre o paciente e o médico, porque muitas vezes as pessoas não entendem as orientações e precisam de ajuda. Um bom farmacêutico precisa saber orientar”, diz Salette, hoje voluntária em vários grupos técnicos do CRF-SP e primeira mulher a ingressar no Comitê Sênior do conselho.

Mas o que mudou para as mulheres que atuam hoje na profissão? 

Salette destaca a atenção e o cuidado no atendimento, porque hoje a saúde está muito mais complexa, a dedicação à profissão e o crescente interesse das farmacêuticas por aperfeiçoamento. “As mulheres fazem hoje vários cursos e especializações. Vejo que elas gostam da profissão e se dedicam muito mais. Mas ainda ganham menos que os homens”, afirma. 

O estudo Perfil do Farmacêutico no Brasil, realizado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), mostrou que especialmente nas faixas salariais mais elevadas, os homens ainda levam vantagem mesmo, embora sejam minoria na profissão (32,5%, contra 67,5%). Entre os farmacêuticos que recebem acima de 5.000 reais, os homens são 22% e as mulheres, 10,6%. Os dados são de 2015, mas, segundo o CFF, ainda refletem a realidade. 

As farmacêuticas seguem o padrão registrado na maioria das profissões no país. Segundo estudo conduzido pelo IBGE em 2018, as mulheres ganham 79,5% do total pago aos homens. A força feminina representa 45,3% do trabalho no país.

A trajetória das mulheres farmacêuticas na vida profissional, com dedicação, cuidado no atendimento ao paciente e vontade de crescer na carreira, reflete as conquistas e as vitórias da mulher na sociedade e no mercado de trabalho.

Fontes: Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP). Salette Maria Krowczk de Faria (CRF-SP 5006). 

Estudo Perfil do Farmacêutico no Brasil – Conselho Federal de Farmácia (CFF), http://www.cff.org.br/userfiles/file/Perfil%20do%20farmac%C3%AAutico%20no%20Brasil%20_web.pdf , acessado em fevereiro/2020. 

Estudo Diferença do Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ocupacionais - Pnad Contínua, 2018, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-03/mulheres-brasileiras-ainda-ganham-menos-que-os-homens-diz-ibge , acessado em fevereiro/2020.

Quarenta anos atrás, os profissionais de farmácia eram predominantemente homens. Hoje elas representam 73% dos profissionais ativos, apenas no estado de São Paulo. Entenda a trajetória dessas mulheres e o caminho que as levou a conquistar esse espaço.


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