Coronavírus: o que você precisa saber para orientar e acolher

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, a atuação dos farmacêuticos na pandemia de covid-19 é importante para repassar informações corretas, prevenir e cuidar.

Doenças

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No dia 11 de março, a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que o mundo vive uma pandemia provocada por um novo coronavírus (Sars-Cov-2). Isso acontece quando uma doença infecciosa atinge um alto número de pessoas em muitos países. Até o dia 31 de março, 202 países haviam registrado casos da covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, com mais de 36 mil mortes, segundo a OMS.

No Brasil, após a confirmação dos primeiros casos de transmissão comunitária, quando não é possível identificar como se deu o contágio, cresceram as dúvidas sobre como se proteger da covid-19, que teve origem na China. 

O portal Neo Pharma perguntou a farmacêuticos e balconistas de 13 farmácias, localizadas em sete bairros de São Paulo, quais têm sido as principais dúvidas das pessoas que procuram as farmácias. A maioria busca informações sobre prevenção, uso ou não de máscara cirúrgica e o que fazer no caso de contrair a doença.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a atuação dos farmacêuticos nessa pandemia é importante para a disseminação de informações verídicas e cientificamente comprovadas, não apenas por ser um profissional de saúde, mas também por estar à frente de estabelecimentos que são os primeiros a serem procurados quando a população identifica algum sintoma de resfriado, por exemplo.

Para ajudar farmacêuticos e balconistas a responder as dúvidas mais frequentes, elaboramos um guia com base em informações da OMS, do Ministério da Saúde, do CFF, de médicos especialistas e outras fontes confiáveis.

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que os sintomas da covid-19 são similares aos de uma gripe (tosse, coriza e febre) e, segundo a OMS, 80% dos infectados apresentam a forma mais leve da doença e se recuperam sem tratamento especial.

Como o vírus é transmitido?

O coronavírus Sars-Cov-2 pode se propagar por contato com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro ou por contato pessoal com pessoas infectadas, como toque e aperto de mão. O contágio pode se dar ainda por meio de objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, o nariz ou os olhos. Por isso é tão importante higienizar as mãos.

Quantas pessoas um infectado pode contaminar?

Os últimos dados da OMS mostram que o número de novas pessoas que podem ser infectadas por cada doente está entre 2,6 e 3. A Sociedade Brasileira de Infectologia trabalha com o número de 2,74.

Qual o período de incubação do vírus?

Pode ser de 1 a 14 dias, porém o mais comum são cinco dias, segundo a OMS.

Quais são os sintomas da covid-19? 

Os sintomas mais comuns são febre (37,8 °C), tosse seca e cansaço. Podem surgir também dores no corpo e na garganta, congestão nasal e coriza. Uma em cada seis pessoas desenvolve dificuldade para respirar. Nos casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia e síndrome respiratória aguda grave. Há também os que não apresentam sintomas. Segundo a OMS, com base nos dados atuais, 81% dos casos são de doença leve, 14% parecem progredir para doença grave e 5% são críticos.

Como prevenir a covid-19?

As medidas de proteção gerais são: lavar frequentemente as mãos, usando água e sabão por pelo menos 20 segundos ou usar álcool em gel 70%, especialmente após contato com pessoas e lugares muito movimentados (como transporte público) e antes de se alimentar.

Quando tossir ou espirrar, usar lenços descartáveis (em seguida jogá-los fora) ou cobrir a boca e o nariz com a dobra do cotovelo flexionado. Manter pelo menos 1 metro de distância de quem estiver tossindo ou espirrando. Manter os ambientes ventilados. Evitar tocar nos olhos, nariz e boca sem lavar as mãos. Evitar compartilhar copos, pratos e outros objetos de uso pessoal. Evitar aglomerações em lugares fechados.

Qual é o tratamento para covid-19?

Ainda não há um medicamento específico para a infecção. Indica-se repouso e ingestão de líquidos, além do uso de analgésicos e antitérmicos, para aliviar os sintomas, quando necessário. Nos casos de maior gravidade, como pneumonia e insuficiência respiratória, suplemento de oxigênio e ventilação mecânica podem ser necessários.

Segundo a OMS, a maioria das pessoas se recupera sem precisar de tratamento especial. Não existe ainda uma vacina, mas estudos estão em andamento para o desenvolvimento.

Quanto tempo a pandemia de coronavírus vai durar?

Essa é uma pergunta frequente nas farmácias. A OMS e as instituições de saúde dizem que ainda é cedo para fazer qualquer previsão sobre o fim da pandemia. Na China, o número de casos novos desacelerou, mas a OMS passou a considerar a Europa como o centro global da doença.

O que recomendar à pessoa que viajou a países mais afetados?

O mestre em farmacologia e vice-presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo), Marcelo Polacow, listou os cuidados que os farmacêuticos devem informar a pessoas que viajaram ao exterior. São eles: transmitir calma e segurança, recomendar a permanência em casa por sete dias no retorno da viagem, explicar as formas de transmissão, reforçar as medidas preventivas, fornecer informações baseadas em evidências e ter muito cuidado com a disseminação de notícias falsas.

O que fazer se aparecerem sintomas de gripe?

Depende da intensidade dos sintomas. Segundo o Ministério da Saúde, pessoas com sinais leves e isolados, como coriza, devem receber orientação para ficar em casa, com boa hidratação e repouso. Podem também ligar para o número 136, para receber a orientação de profissionais.

É preciso procurar um médico ou hospital quando há falta de ar. Quando o fôlego fica curto e a pessoa fica ofegante ao andar.

Tosse intensa, falta de ar progressiva, catarro com pus, febre alta com calafrios e pontas dos dedos e lábios arroxeados são sinais de infecção grave pelo novo coronavírus. 

Pessoas devem procurar um serviço de saúde mesmo sem sintomas?

Não. Atualmente não há a recomendação para que pessoas sem sintomas busquem um hospital ou sejam testadas para o novo coronavírus. O Ministério da Saúde recomenda que as pessoas não procurem os hospitais, para evitar lotação. Caso a epidemia se agrave no país, o sistema de saúde precisará aumentar em 20% o número de leitos em UTI.

Além disso, os infectologistas dizem que há o risco de as pessoas pegarem coronavírus nas salas de espera dos hospitais.

Quais são os grupos de maior risco?

Idosos, pessoas com doenças como pressão alta, diabetes, problemas cardiovasculares e pulmonares, indivíduos com baixas defesas e fumantes têm mais chances de desenvolver um quadro grave, segundo a Organização PanAmericana de Saúde (Opas). A forma grave da covid-19 atinge 5% dos infectados, a maioria idosos.

“É importante neste momento que as doenças pré-existentes estejam controladas, com os medicamentos e os tratamentos indicados, especialmente nos idosos”, afirma o clínico geral Paulo Chiavone.

O Ministério da Saúde recomenda que pacientes com doenças crônicas peçam receitas de medicamentos com validade maior, para evitar idas constantes aos postos de saúde.

Algumas cidades, como São Paulo, decidiram ampliar o prazo de compra de medicamentos de 30 dias para três meses de tratamento.

Qual é a orientação para o uso de máscaras cirúrgicas?

Até o dia 1º de abril, a orientação era para que as máscaras fossem usadas apenas por pessoas com sintomas respiratórios, para evitar a transmissão, em combinação com as outras medidas de higiene. Mas o Ministério da Saúde mudou a orientação e recomendou à população que use máscaras caseiras quando precisar sair de casa. Elas podem ser feitas de pano e devem ser individuais. Precisam ser retiradas e trocadas se ficarem umedecidas. As máscaras devem ser lavadas pelo próprio usuário, para manter o autocuidado. Para isso, basta usar água e sabão ou água sanitária, deixando a máscara de molho por cerca de 20 minutos.   

A utilização de versões cirúrgicas da máscara segue indicado apenas para os  profissionais de saúde. Pessoas que estejam cuidando de doentes em casa devem usar máscaras em todo contato com o paciente.

Quando é preciso usá-la, como colocar, usar e descartar a máscara?

Quando perguntados, farmacêuticos podem orientar que, antes de tocar na máscara, a pessoa deve higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel. Devem explicar qual lado é o superior (onde está a tira de metal) e qual o lado que deve ficar para fora. Ao retirar, a pessoa deve manter a máscara afastada do rosto e das roupas, para evitar tocar nas superfícies potencialmente contaminadas. Descartar a máscara em uma lixeira fechada imediatamente após o uso. Higienizar as mãos após tocar na máscara. As recomendações são da OMS.

Qual o índice de letalidade do vírus?

Pelos dados disponíveis até agora, a estimativa é de que a letalidade esteja em tono de 3,4%. Entre os idosos acima de 80 anos, 14,8% dos casos podem resultar em morte. Esse número cai para 8% na faixa de 70 anos e para 0,4% nas pessoas até 49 anos.

Tomar vacina da gripe ajuda a evitar a covid-19?

Tomar vacina ajuda a não contrair gripe. “Este não é o momento de pegar uma gripe, porque se tiver tosse, a pessoa vai se preocupar e procurar um serviço de saúde, muitas vezes sem necessidade”, afirma o médico Paulo Chiavone.

Quais são as recomendações para o isolamento domiciliar?

Segundo a OMS, o ideal é que o paciente fique em um quarto privativo bem ventilado, com janela aberta, e com movimentação limitada. Pessoas próximas, cuidadores e paciente devem usar máscara bem ajustada quando estiverem no mesmo ambiente. Ao lavar as mãos, usar toalhas descartáveis para secá-las. Limpar e desinfetar as superfícies tocadas, como maçanetas, telefone e mesa de cabeceira. As roupas do paciente devem ser lavadas separadamente. Etiqueta respiratória deve ser adotada por todos. A pessoa em isolamento deve se manter afastada de grupos de risco, como os idosos.

Por quanto tempo o coronavírus sobrevive nas superfícies?

Ainda não é possível afirmar com certeza. Estudos da OMS indicam que o vírus pode persistir nas superfícies por algumas horas ou até mesmo dias, mas depende das condições de clima e umidade do ambiente. Estudos das Universidades da Califórnia e Princeton mostram que o vírus pode sobreviver por 3 dias em superfícies como plástico e aço inoxidável.

Quais são as fake news mais divulgadas sobre a doença?

O CRF-SP recomenda cuidado com a disseminação de notícias falsas pelas redes sociais. Caso as pessoas perguntem na farmácia, saiba que de nada adianta para a doença: tomar água quente ou água com limão, chá de ervas, antibióticos, shots para a imunidade, uísque com mel, chá de abacate com hortelã, coquetel de vitamina C e zinco. Essas são algumas das fake news levantadas pelo Ministério da Saúde. O melhor para confirmar informações é procurar sites confiáveis, como os do Ministério da Saúde, OMS, Opas e secretarias estaduais de saúde.

Para que todo farmacêutico possa acolher, avaliar e cuidar, o Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim), do Conselho Federal de Farmácia, elaborou um guia de bolso com informações baseadas em evidências. Ele pode ser baixado no site do CFF. A equipe do Cebrim reuniu também uma série de links para acesso a fontes de informação oficiais e científicas para subsidiar os profissionais da saúde. 

Fontes: World Health Organization. Coronavirus disease (COVID-19) Pandemic. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019. Acesso em: 12 março, 2020.

Ministério da Saúde. O que é coronavírus? (COVID-19). Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/. Acesso em: 12 março, 2020.  

Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP). Departamento de Apoio Técnico e Educação Permanente. Manual de Orientação ao Farmacêutico: COVID-19. São Paulo: CRF SP, 2020. Disponível em: http://crfsp.org.br/images/arquivos/Manual_orientacao.pdf. Acesso em: 12 março, 2020.

Centers for Disease Control and Prevention (CDC), Coronavirus Disease 2019 (Covid-19). If you are sick. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/if-you-are-sick/steps-when-sick.html. Acesso: 17 de março, 2020.

Conselho Federal de Farmácia (CFF). Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos. Coronavírus. Disponível em: http://www.cff.org.br/pagina.php?id=837&menu=3&titulo=Coronav%C3%ADrus. Acesso em: 16 março, 2020.

Ministério da Saúde. Coronavírus/Covid 19. Saúde sem Fake News. Disponível em https://www.saude.gov.br/fakenews. Acesso em: 31 março, 2020.

Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos. Conselho Federal de Farmácia. Guia de Bolso. Coronavírus: Informações baseadas em evidências. Brasília (DF). Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/coronavirus%20-%20guia%20de%20bolso.pdf. Acesso em: 16 março, 2020.

Entrevista com médico Paulo Chiavone (CRM-SP 42621) para o portal NeoPharma.

Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP). Vídeo explicativo com o farmacêutico Marcelo Polacow (CFF-SP 13573-0). Farmacêuticos Contra o Coronavírus. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=6sXSZ2SfVg0. Acesso em 31 março, 2020.

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